O
programador que desenvolveu o núcleo do sistema operativo Linux, Linus
Torvalds, manifestou-se, num blog, a respeito da abordagem
dos fabricantes e técnicos de software de segurança, e o exagero com
que divulgam as vulnerabilidades. Não só pela linguagem e alusões com
que o técnico se dirigiu à referida comunidade, as palavras do inventor
causaram incómodo na indústria das TI. Torvalds diz-se farto
do “circo” que se desenvolve à volta das vulnerabilidades e segurança
do software.
Em
Julho, Torvalds declarou num blog que uma das razões para “
recusar incomodar-se com todo o circo de segurança” é que ele, na sua
opinião, “glorifica, - e por isso encoraja-comportamentos errados”. Na
visão do mesmo, faz dos técnicos de segurança, heróis, “como se as
pessoas que concertam bugs normais não tivessem a mesma importância”.”
Com efeito, todos os bugs normais, são muito mais importantes,
simplesmente porque existem em maior quantidade”.
Torvalds acaba por dirigir o seu ataque também à comunidade OpenBSD:
“Penso que as pessoas da OpenBSD são um bando de macacos que assume
obssessivamente, a segurança como o aspecto mais importante, ao ponto
de admitirem que mais nada lhes interessa”. Mais tarde, o norueguês
revelou que a única pessoa com quem falou sobre a
parte dos ”macacos”, achou-a divertida. Mas também
admitiu haver quem achasse a declaração muito ofensiva.
Mas mais importante do que isso, o programador explicou porque
considera as pessoas da segurança muito obcecadas. Demasiadas
vezes, a chamada “segurança” é separada em dois grupos: um
acredita em não divulgar os problemas, escondendo o conhecimento sobre
as vulnerabilidades até um bug ser neutralizado; e outra que se diverte
ao expor falhas de segurança de fabricantes de tecnologia de segurança,
porque veêm isso como mais uma prova de que essas empresas são
corruptas e não prestam, o que até é verdade para a maior
parte delas”, considera Torvalds. Cada vez mais polémico, o técnico
considera que os dois grupos são “doidos”. "Os dois estão a esgotar-se
pelas suas próprias razões, e apontam o dedo entre si como uma forma de
cimentar as razões para existirem", Torvalds declara o
programador. Ele diz que muita da actividade em ambos os campos nascem
de atitudes vaidosas de relações públicas.
Ele considera que nenhum dos campos está absolutamente
correcto em qualquer situação, e que uma via intermédia é sempre
preferível. Esta via será baseada numa atitude mais centrada na
resolução dos problemas, o mais depressa possível, com pouco alarido.
"É preciso concertar as coisas muito cedo, e isso exige um certo nível
de transparência para os programadores," diz Torvalds, antes de
acrescentar "também não será preciso realizar uma grande produção à
volta disso."
Torvalds
também considera que não se importa com a etiquetagem de actualizações
e mudanças no Linux, como correcções de segurança numa
perspectiva de aconselhamento de segurança.
"O
que é que a etiquetagem de segurança oferece? Excepto alimentar os dois
campos de relações públicas que eu obviamente penso serem dois idiotas
a pugnarem pela sua agenda?”, considera Torvalds says. "Só
perpetua essa mentalidade falsa” e constitui um desperdício de
recursos, considera. Por outro lado é melhor evitar a adopção de apenas
uma das atitudes “a revelação imediata e completa” ou ignorar os bugs
que possam embaraçar os fabricantes, considera. “Qualquer situação
capaz de permitir ao fabricante esconder o bug durante semanas ou meses
é inaceitável, tal como em qualquer situação que torne
difícil às pessoas que descobrirem e falar com os técnicos.”
Torvalds afirma-se céptico sobre o valor de edições
sincronizadas entre fabricantes capazes de favorecerem a ideia de um
embargo de informação sobre vulnerabilidades de software até uma
correcção estar pronta. Esse processo desencoraja a reflexão sobre as
mudanças de concepção capazes de tornar mais difícil surgirem bugs de
segurança, afirma Torvalds. “Portanto, a mentalidade do
‘todos os embargos são bons’ é apenas reflexo de acções
corruptas dos fabricantes. Mas por outro lado, a revelação
não deve ser o objectivo”.
"Não
acredito em qualquer dos grupos”, resume Torvalds. O que ele apoia é "
um modelo no qual a segurança seja mais fácil de conseguir – isto é, o
modelo Unix – mas que ao mesmo tempo facilite o reporte de falhas sem
embargos, mas de forma privada”.
Lista
de vulnerabilidades do Linux “é privada”
Linus
Torvalds diz que a lista de questões de segurança do núcleo do Linux “é
privada” no sentido em que “não é preciso divulgar as vulnerabilidades”
muito além de algumas esferas, para um problema de software ser
resolvido. Ele diz que o processo permite, embora não encoraje, um
embargo de cinco dias, e “até nessa altura, deverá prosseguir para a
equipa técnica conforme for necessário, porque até esse segredo, não é
uma coisa absoluta e insana”.
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